Raio de Entrega Delivery: Como Definir a Área que Dá Lucro
O método em 4 passos para desenhar zonas de entrega que dão lucro e protegem o tempo de entrega
O raio de entrega ideal não é o maior que você consegue cobrir. É o maior que ainda dá lucro por entrega e não atrasa as rotas dos outros pedidos. Neste guia você aplica um método em 4 passos para desenhar suas zonas de entrega com critério, não com palpite.
O que o raio de entrega decide no seu delivery
Todo pedido que sai da loja carrega um custo fixo de km rodado e um custo de tempo de rota. Quando você aceita qualquer bairro, sem critério, dois problemas aparecem ao mesmo tempo: entregas distantes com prejuízo real e o atraso das entregas próximas, porque o motoboy está preso numa corrida longa.
Raio de entrega, na prática, é uma decisão de lucro por zona. Um raio de 3 km numa área densa pode valer mais que um raio de 8 km numa área espalhada, mesmo cobrando taxa maior na área distante.
Passo 1: mapeie de onde vem seus pedidos
Antes de desenhar qualquer zona, olhe para os últimos 60 dias de pedidos. Separe por bairro ou CEP e conte quantos pedidos saíram de cada um.
Exemplo: uma pizzaria em bairro de médio porte recebe 40% dos pedidos num raio de 2 km, 35% entre 2 e 4 km e os 25% restantes espalhados acima de 4 km. Esse último grupo, na maioria dos casos, é o que menos compensa.
- Liste os 10 bairros que mais pedem
- Marque a distância aproximada de cada um até a loja
- Anote o ticket médio por bairro, porque bairro distante com ticket baixo é o pior cenário para o caixa
O peso desse mapeamento muda por tipo de negócio. Uma açaiteria com ticket médio de R$ 22,00 sente o custo de deslocamento de forma muito mais dura do que uma churrascaria com ticket de R$ 140,00, porque a taxa de entrega precisa ser proporcionalmente maior para não corroer a margem. Já uma pizzaria costuma ter tolerância maior a raio, porque o ticket médio mais alto absorve melhor o custo por km.
Se você vende marmita com entrega concentrada no horário de almoço, o mapeamento também precisa considerar a janela de tempo: uma zona que funciona bem às 12h pode ser inviável às 19h, quando o trânsito muda o tempo de rota.
Passo 2: calcule o custo por km e por entrega
O custo por entrega tem duas partes: o que você paga ao motoboy (fixo ou por km) e o tempo que ele fica indisponível para outra corrida.
Conta simples: se o motoboy recebe R$ 6,00 de deslocamento fixo mais R$ 1,50 por km rodado, uma entrega de 2 km custa R$ 9,00. A mesma entrega a 7 km custa R$ 16,50. Se a taxa de entrega cobrada do cliente for igual nos dois casos, a segunda dá menos lucro, mesmo com o mesmo valor de pedido.
Regra prática: se o custo de deslocamento passar de 15% do ticket médio da zona, revise a taxa ou reveja se vale entregar ali.
Vale considerar também o tipo de veículo. Motoboy de moto tem custo por km mais baixo que carro, mas em bairros com ruas estreitas ou muito trânsito a bicicleta elétrica pode reduzir o tempo de rota em zonas de até 3 km, principalmente em centros urbanos densos. O cálculo de custo por km muda conforme a frota disponível, então revise esses números a cada trimestre, não apenas uma vez.
Passo 3: cronometre o tempo de rota por zona
Tempo de rota é o critério que mais dono de delivery ignora. Uma zona pode até fechar a conta em reais e ainda assim destruir o tempo de entrega de todo o resto da operação.
Exemplo prático: numa hamburgueria com pico às sextas à noite, uma entrega de 25 minutos de ida e volta consome o slot de duas entregas próximas de 10 minutos cada. O cliente da zona distante fica satisfeito, mas os outros seis pedidos da noite atrasam.
Cronometre o tempo real de ida e volta em pelo menos 3 horários diferentes (almoço, jantar, pico de sexta) antes de decidir o limite do raio.
Passo 4: desenhe zonas com taxa escalonada
Depois de mapear demanda, custo e tempo, divida a área de entrega em zonas concêntricas com taxa crescente. Isso protege a margem sem excluir o cliente distante que está disposto a pagar mais por isso.
| Zona | Distância | Taxa de entrega | Pedido mínimo |
|---|---|---|---|
| Zona 1 | até 2 km | R$ 4,90 | R$ 25,00 |
| Zona 2 | 2 a 4 km | R$ 8,90 | R$ 35,00 |
| Zona 3 | 4 a 6 km | R$ 13,90 | R$ 50,00 |
O pedido mínimo por zona é o que evita o prejuízo silencioso: entregar um lanche de R$ 18,00 a 5 km de distância raramente fecha a conta, mesmo com taxa cobrada.

Quando dizer não a um bairro
Existe um ponto em que o critério certo é simplesmente não atender aquele bairro, ao menos por enquanto. Três sinais indicam isso:
- O custo de deslocamento consome mais de 20% do ticket médio da zona
- O tempo de ida e volta atrapalha duas ou mais entregas próximas no mesmo horário de pico
- O bairro gera pedidos esporádicos, sem volume que justifique manter a zona ativa
Dizer não a um bairro distante não é perder venda. É proteger o lucro e o tempo de entrega dos clientes que já compram com frequência.

Vale a pena entregar em bairros distantes?
Só quando a conta fecha por zona. Entregar longe pode valer a pena se o ticket médio da zona for alto o suficiente para cobrir o custo de deslocamento e o tempo de rota não prejudicar outras entregas no mesmo horário. Fora isso, aceitar pedido distante por medo de perder venda costuma sair mais caro do que parece no fim do mês.
Um jeito simples de testar isso na prática: rode a zona distante por 30 dias com pedido mínimo mais alto e taxa escalonada, depois compare o lucro líquido daquela zona com o das zonas próximas. Se o número for consistentemente pior, é hora de cortar ou ajustar a taxa.
Raio de entrega x taxa de entrega: qual a diferença
O raio de entrega define onde você entrega. A taxa de entrega define quanto você cobra por isso. São decisões ligadas, mas não são a mesma conta: dá para ter um raio bem desenhado e ainda assim cobrar taxa errada, ou vice versa. Se você já definiu as zonas mas não sabe como calcular o valor de cada faixa, veja como calcular a taxa de entrega.
Como o Rei do Delivery ajuda a aplicar isso no seu cardápio
O Rei do Delivery, sistema de cardápio digital sem comissão por pedido, permite cadastrar bairros em lote por CEP e definir pedido mínimo por área de entrega direto no painel. Assim que você fecha o método das zonas, é só configurar e o cardápio já bloqueia pedidos fora da área ou abaixo do mínimo, sem depender de conferência manual no WhatsApp.
Isso evita o erro mais comum: aceitar no automático um pedido de uma zona que já foi descartada na sua própria análise.
Se você ainda organiza os pedidos manualmente, vale ver também como organizar os pedidos do delivery antes de expandir a área de cobertura.
Raio de entrega bem desenhado não é sobre cobrir mais bairros. É sobre lucrar em cada um dos que você decidiu cobrir.
Para colocar o método em prática sem depender de planilha e conferência manual, crie seu cardápio grátis no Rei do Delivery e cadastre suas zonas de entrega em poucos minutos. Se sua operação já tem volume maior, veja também os planos disponíveis.
Para aprofundar a gestão do delivery como um todo, incluindo custos e rotina operacional, confira o guia completo de gestão do delivery.