Preço Diferente no iFood e no Delivery Próprio: Pode? A Conta da Comissão e Como Comunicar ao Cliente
A fórmula para calcular o preço de cada canal, um exemplo completo em reais e como explicar a diferença ao cliente sem parecer golpe.
Resposta direta: pode ter preço diferente no iFood e no delivery próprio?
Sim, você pode cobrar preço diferente no iFood e no delivery próprio. A regra permite desde que o preço exibido seja o valor final e claro ao cliente, e seu contrato não tenha cláusula de paridade proibindo. O que decide é a conta certa e como você explica a diferença.
O marketplace cobra comissão e taxa de pagamento sobre cada pedido, e o canal próprio não tem esse custo. Repassar parte dessa diferença no preço é uma decisão comercial comum, não uma fraude. Antes de mudar qualquer preço, releia as condições vigentes do seu contrato, porque regras de marketplace mudam de ano para ano.
O que diz o contrato do marketplace e o que diz o consumidor
Cláusula de paridade: o que procurar no seu contrato
Alguns contratos de marketplace trazem uma cláusula de paridade, que obriga o preço do app a ser igual ou menor que o preço em outros canais. Esse tipo de cláusula não é universal nem fixo, varia por plataforma, por período e por categoria de estabelecimento. Não existe uma resposta genérica que valha para todo contrato.
O caminho seguro é abrir o contrato vigente no seu painel do marketplace e buscar termos como "paridade de preço", "preço mínimo" ou "condições comerciais". Se não encontrar nada e tiver dúvida, pergunte diretamente ao suporte comercial da plataforma antes de mudar os valores. Este artigo não substitui orientação jurídica: para um parecer sobre o seu caso específico, vale consultar um advogado ou contador que já atenda o setor de delivery.
Transparência com o cliente e o Código de Defesa do Consumidor
Mudar o preço por canal é permitido, mas escondê-lo não é. O Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078 de 1990, lista entre os direitos básicos do cliente a informação clara sobre o preço do produto, prevista no artigo 6º, inciso III. Isso significa que o valor exibido no cardápio do app e no cardápio do WhatsApp precisa estar visível antes da finalização do pedido, sem letra miúda nem taxa escondida no checkout.
Na prática, o risco jurídico não está em cobrar valores diferentes. Está em cobrar um valor e exibir outro, ou em adicionar uma taxa que o cliente só descobre na hora de pagar. O texto completo da lei está disponível no site do Planalto, para quem quiser ler a redação original antes de ajustar o cardápio.
A fórmula do preço por canal
Custo do prato e margem alvo
Toda conta de preço por canal começa no custo direto do prato, o chamado CMV, e na margem que você quer manter depois de pagar esse custo. Uma marmitaria em Duque de Caxias que vende 40 marmitas por dia a R$ 22 cada, por exemplo, precisa saber exatamente quanto custa o arroz, o feijão, a proteína e a embalagem daquela marmita específica antes de decidir qualquer coisa sobre canal de venda. Sem esse número, qualquer fórmula de precificação é um chute.
Comissão e taxa de pagamento como custo variável
Depois do custo direto, entra o custo variável de cada canal: comissão do marketplace e taxa de pagamento online. Na prática, juntar os dois na mesma conta funciona melhor do que tratar separadamente, porque é isso que realmente some do caixa a cada pedido, antes de qualquer imposto. A fórmula básica é:
Preço = Custo direto ÷ (1 − margem alvo − comissão − taxa de pagamento)
Troque os percentuais pelos números reais do seu contrato. O erro mais comum é esquecer a taxa de pagamento, que parece pequena isoladamente, mas some com a comissão e aperta a margem mês após mês.
Exemplo: o mesmo X-tudo em 3 canais
Uma hamburgueria de bairro em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, vende um X-tudo cujo custo direto é R$ 9,00. A margem alvo definida pelo dono é 30%. Para este exemplo, vamos supor que o contrato do marketplace preveja uma comissão de 25% mais 3% de taxa de pagamento online, valores que cada lojista precisa confirmar no próprio painel, já que variam por plano e por período.
- No WhatsApp, canal próprio com entrega feita pela própria casa: comissão 0%, taxa de pagamento 3%. Preço = 9 ÷ (1 − 0,30 − 0,03) = R$ 13,43, arredondado para R$ 13,90.
- No iFood: comissão 25%, taxa de pagamento 3%. Preço = 9 ÷ (1 − 0,30 − 0,25 − 0,03) = R$ 21,43, arredondado para R$ 21,90.
- Na retirada no balcão, pagamento via Pix sem taxa: Preço = 9 ÷ (1 − 0,30) = R$ 12,86, arredondado para R$ 12,90.
O mesmo X-tudo custa quase R$ 9,00 mais caro no app do que na retirada. Não é abuso, é a comissão virando preço.
Tabela: preço e margem do mesmo prato em cada canal
Com os valores arredondados do exemplo acima, a tabela abaixo mostra como a margem em reais fica parecida, mesmo com o preço final diferente em cada canal.
| Canal | Preço final | Comissão + taxa | Margem em R$ | Margem em % |
|---|---|---|---|---|
| Retirada no balcão (Pix) | R$ 12,90 | R$ 0,00 | R$ 3,90 | 30,2% |
| WhatsApp (entrega própria) | R$ 13,90 | R$ 0,42 | R$ 4,48 | 32,2% |
| iFood | R$ 21,90 | R$ 6,13 | R$ 6,77 | 30,9% |

Como comunicar a diferença sem perder o cliente
Vantagem do pedido direto em vez de punição do app
O erro mais comum na comunicação é explicar a diferença de preço como uma penalidade para quem usa o aplicativo. Funciona melhor o caminho contrário: mostrar o canal próprio como o que tem vantagem, não o app como o que tem castigo. Um cardápio digital como o Rei do Delivery, sistema brasileiro de cardápio digital com pedidos pelo WhatsApp e zero comissão por pedido, ajuda nisso porque o cliente já vê o preço de pedir direto no próprio link, sem precisar comparar telas.
Essa diferença de preço, quando bem explicada, é um dos argumentos mais fortes a favor do canal próprio. Quem entende que o app cobra comissão sobre cada pedido passa a ver o cardápio sem comissão como opção vantajosa, não como um desconto suspeito.
Modelos de frase para embalagem, Instagram e WhatsApp
Frases curtas funcionam melhor que parágrafos explicativos na embalagem ou no story. Alguns modelos testados por lojistas:
- Na embalagem: "Pedindo direto pelo WhatsApp você paga menos. Salva nosso número."
- No Instagram: "Mesmo lanche, preço melhor no pedido direto. Link na bio."
- Na mensagem de confirmação do app: "Da próxima vez, peça direto e economize. Chama no WhatsApp."
"Não tente igualar o preço do canal próprio ao do marketplace. Mostre a diferença como vantagem de pedir direto, nunca como punição por usar o app, porque o cliente que se sente punido simplesmente para de prestar atenção."
Rafael Rocha, fundador do Rei do Delivery e gestor de tráfego pago para restaurantes

Quem já sente a comissão pesando na operação encontra o cálculo completo em quanto a comissão do iFood custa por mês, útil para decidir com que velocidade migrar a base de clientes.
Erros comuns na precificação por canal
- Cobrar o mesmo preço nos dois canais e absorver a comissão inteira na própria margem, sem perceber até fechar o mês no vermelho.
- Esquecer a taxa de pagamento online na conta e fechar a margem real abaixo do planejado.
- Aumentar o preço no app de uma vez só, sem aviso, gerando reclamação e queda de avaliação.
- Tratar a diferença de preço como segredo em vez de explicar o motivo ao cliente.
Se hoje a maior parte do seu faturamento ainda vem do marketplace, não corrija o preço do app de uma vez por achar que é o certo a fazer. A ordem que funciona melhor é migrar a base de clientes para o canal próprio primeiro, com uma oferta de pedido direto, e só depois ajustar o preço do app para o valor que a conta pede. Corrigir o preço antes de ter para onde mandar o cliente só aumenta a reclamação, sem resolver a comissão.
Para quem ainda está decidindo entre manter os dois canais ou priorizar um deles, vale comparar o modelo completo em marketplace ou cardápio próprio antes de reorganizar os preços. E para quem quer entender a gestão do negócio como um todo além da precificação, o guia de como gerenciar um delivery reúne os outros pontos que também pesam no resultado do mês.
Criar o cardápio com os preços por canal já organizados leva poucos minutos. Monte seu cardápio digital grátis e compare na prática o preço do pedido direto com o preço do marketplace, ou veja os planos disponíveis se já vende em volume e quer sair do zero comissão do plano gratuito para recursos de PDV e integração.
Perguntas frequentes
É ilegal cobrar mais caro no iFood?
Não necessariamente. O que a lei exige é transparência: o preço exibido precisa ser o preço final, sem taxa escondida. A permissão específica depende também do seu contrato com o marketplace, por isso vale confirmar antes de mudar valores.
Quanto devo aumentar o preço no iFood?
O suficiente para manter a margem alvo depois de descontar comissão e taxa de pagamento. Use a fórmula preço igual a custo dividido por um menos a margem menos a comissão menos a taxa, com os percentuais reais do seu contrato.
Posso dar desconto só para quem pede pelo WhatsApp?
Sim. Tecnicamente você está apenas deixando de cobrar a comissão que não existe nesse canal. O cuidado é comunicar isso como vantagem do pedido direto, não como punição de quem usa o app.
Como calcular a comissão no preço do prato?
Multiplique o percentual da comissão pelo preço final do canal e some à taxa de pagamento. O resultado é o valor em reais que sai do seu caixa antes de qualquer imposto, por isso ele precisa estar embutido na fórmula de preço, não calculado depois.
Vale a pena ter preço menor no WhatsApp?
Na maioria dos casos sim, porque o canal próprio não paga comissão por pedido. A diferença de preço é justamente o que sobra desse custo, e costuma ser o argumento mais direto para o cliente migrar do app para o pedido direto.