Quanto Fatura um Delivery? Faturamento por Nicho
Faixas reais por nicho e a conta que ninguém faz: quanto sobra por canal de venda
Um delivery pequeno costuma faturar entre R$ 5 mil e R$ 15 mil por mês. Uma pizzaria ou hamburgueria estruturada chega a R$ 30 mil a R$ 100 mil. Mas faturamento não é lucro, e o canal de venda muda quanto sobra no bolso. Este guia mostra as faixas reais por nicho e a conta que poucos fazem: quanto do faturamento desaparece em comissão de marketplace.
Quanto fatura um delivery por mês
A resposta muda com o nicho, o porte e a região, mas os números do setor dão um ponto de partida confiável. Um delivery pequeno, tocado por uma pessoa ou família, costuma faturar de R$ 5 mil a R$ 15 mil por mês. Uma operação estruturada, com equipe e produção padronizada, vai de R$ 30 mil a R$ 100 mil, dependendo do nicho.
Esses valores são estimativas de mercado, não uma garantia. Região, ticket médio e quantidade de canais de venda mudam o resultado de um estabelecimento para o outro.
Faturamento não é lucro: a diferença que quebra negócio
Faturamento é tudo que entra em vendas. Lucro é o que sobra depois de pagar insumo, embalagem, equipe, aluguel, taxas e comissão de aplicativo. Confundir os dois é o erro mais comum de quem está começando, e é também o motivo de muita gente achar que está indo bem só porque o caixa tem movimento.
Um exemplo simples: uma hamburgueria fatura R$ 40 mil em um mês. Se o custo dos insumos (CMV) fica em 32% e as despesas fixas e variáveis somam mais 45% do faturamento, sobram 23% de margem, ou seja, R$ 9.200 de lucro. Se essa mesma operação vende 60% pelo aplicativo com comissão de 25%, o lucro real cai ainda mais, porque a comissão sai antes de qualquer outra conta, sobre o valor bruto do pedido, não sobre o lucro.
Margens líquidas saudáveis no delivery costumam ficar entre 15% e 30% do faturamento, variando por nicho e eficiência de gestão. Hamburguerias bem geridas tendem à faixa mais alta, porque o CMV do hambúrguer é mais previsível que o de uma pizza com muitos sabores. Lanchonetes têm a maior variação, de 10% a 35%, porque a margem depende diretamente de quanto desperdício e retrabalho a operação consegue evitar no dia a dia.
Por isso, faturar mais nem sempre significa lucrar mais. Uma pizzaria que fatura R$ 80 mil com CMV de 35% e despesas fixas altas pode lucrar menos, em reais, que uma operação de R$ 50 mil bem enxuta. O que separa as duas não é o volume de venda, é o controle de custo.
Faturamento médio por nicho
A tabela abaixo consolida as faixas mais citadas pelo setor para os nichos de maior volume no Brasil. Use como referência de mercado, não como meta fixa: seu resultado depende da sua operação.
| Nicho | Faturamento médio mensal | Margem líquida típica |
|---|---|---|
| Delivery pequeno (início de operação) | R$ 5 mil a R$ 15 mil | 15% a 25% |
| Pizzaria | R$ 30 mil a R$ 100 mil | 15% a 20% |
| Hamburgueria | R$ 30 mil a R$ 80 mil | 20% a 35% |
| Lanchonete | R$ 15 mil a R$ 50 mil | 10% a 35% |
| Marmitaria e açaiteria | R$ 10 mil a R$ 40 mil | 15% a 30% |
O setor de pizzarias fechou 2025 com mais de 40 mil unidades ativas no Brasil e crescimento de 10,29% no número de estabelecimentos, segundo a Apubra (Associação Pizzarias Unidas do Brasil). O food service como um todo movimentou R$ 495 bilhões em 2025, com o delivery representando cerca de 15% desse total, de acordo com a Abrasel.
Vale reparar em um detalhe que muda a leitura da tabela: lanchonetes e marmitarias têm o menor ticket médio por pedido, mas também o menor custo de entrada. É por isso que aparecem com faturamento mensal mais baixo, mas nem sempre com a pior margem. Uma marmitaria com plano semanal fechado, por exemplo, tem previsibilidade de compra de insumo que reduz desperdício e ajuda a segurar a margem, mesmo com ticket menor que o de uma pizzaria.
Já pizzarias e hamburguerias dependem mais de volume de pedidos nos horários de pico para justificar a equipe e o forno ou chapa ligados. Isso explica por que o teto de faturamento delas é mais alto, mas o CMV também exige mais atenção, sobretudo em pizza, onde a variedade de sabores multiplica o estoque de insumos parados.

O mesmo faturamento, dois bolsos: marketplace vs canal próprio
Aqui está a conta que a maioria das análises de mercado não faz: o mesmo faturamento bruto rende valores bem diferentes dependendo de onde a venda acontece.
Pegue uma pizzaria que fatura R$ 60 mil em um mês. Se 100% das vendas vierem de marketplace com comissão de 23%, R$ 13.800 saem só em comissão, antes de qualquer outro custo. Se metade dessas vendas migrar para canal próprio, o custo de intermediação cai para cerca de R$ 6.900, uma diferença de R$ 6.900 que ficam no caixa do lojista.
| Canal | Faturamento | Comissão (23%) | Valor líquido de comissão |
|---|---|---|---|
| 100% marketplace | R$ 60.000 | R$ 13.800 | R$ 46.200 |
| 50% marketplace / 50% canal próprio | R$ 60.000 | R$ 6.900 | R$ 53.100 |
| 100% canal próprio (WhatsApp/site) | R$ 60.000 | R$ 0 | R$ 60.000 |
Um cardápio digital como o Rei do Delivery, sistema de cardápio digital sem comissão por pedido, cobra mensalidade fixa em vez de percentual sobre venda. Isso significa que quanto mais o lojista vende pelo canal próprio, maior a fatia do faturamento que ele mantém, sem depender de reduzir preço ou cortar qualidade para compensar a comissão.
Como saber se o seu faturamento está na média do seu nicho
Comparar o próprio número com a tabela de mercado só faz sentido se a base de comparação for justa. Antes de se preocupar se está abaixo da média, confira três pontos.
- Tempo de operação: um delivery com menos de seis meses de rua ainda está construindo base de clientes recorrentes. Comparar com uma operação de três anos não é justo.
- Número de canais ativos: quem vende só por um aplicativo tende a faturar menos que quem soma marketplace, WhatsApp e um cardápio digital próprio ao mesmo tempo.
- Raio de entrega e região: bairros de maior poder aquisitivo sustentam ticket médio mais alto, o que puxa o faturamento para cima mesmo com o mesmo volume de pedidos.
Se o faturamento estiver bem abaixo da faixa do nicho mesmo considerando esses três fatores, o problema costuma estar em um destes três lugares: cardápio pouco visível para quem já é cliente, ausência de canal próprio que sustente recompra, ou preço fora da realidade do bairro atendido.
O que puxa o faturamento para cima
Três alavancas concentram a maior parte do ganho de faturamento sem depender de mais tráfego pago.
Ticket médio
Combos, adicionais e sugestão de bebida no fechamento do pedido aumentam o valor de cada venda sem aumentar o custo de aquisição do cliente. Um cardápio bem estruturado, com fotos e descrição clara, já cumpre parte desse trabalho sozinho. Para efeito de comparação, um levantamento do aplicativo aiqfome no interior do Brasil apontou ticket médio de R$ 86,90 por pedido de pizza, com gasto mensal de cerca de R$ 115 por cliente na mesma plataforma. Subir esse número em R$ 10 ou R$ 15 por pedido, sem perder cliente, já muda o faturamento do mês inteiro.
Recompra
Reter o contato do cliente é o que permite chamar de volta quem já comprou. Em marketplace isso não é possível, porque o contato pertence à plataforma, não ao lojista. Com pedido formatado direto no WhatsApp, o dono do delivery tem a base de clientes exportável e pode reativar quem não compra há duas ou três semanas com uma promoção pontual, sem depender de impulsionar anúncio dentro do aplicativo.
Horários de pico
Sexta, sábado e domingo à noite concentram a maior parte da demanda do setor, com pico costumeiro no jantar. Garantir que o cardápio não trave e que a loja bloqueie pedido fora do horário de atendimento evita venda perdida e cliente frustrado justamente no momento de maior movimento, quando um único pedido perdido pode custar o ticket médio de toda uma hora de operação.
Depois de entender as faixas de faturamento, o próximo passo natural é entender como transformar faturamento em lucro e acompanhar a margem de lucro por nicho. Quem ainda está no papel também precisa saber quanto custa montar um delivery. Para a gestão do dia a dia depois que o negócio já está de pé, vale conferir também como gerenciar um delivery sem perder dinheiro.

Antes de subir preço ou brigar por mais pedidos, olhe para o canal de venda. É a alavanca mais rápida para transformar o mesmo faturamento em mais dinheiro no bolso.
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Perguntas frequentes sobre faturamento de delivery
As respostas rápidas abaixo cobrem as dúvidas mais comuns de quem está começando ou comparando o próprio resultado com o mercado.
Quanto fatura um delivery pequeno?
Um delivery pequeno costuma faturar entre R$ 5 mil e R$ 15 mil por mês, dependendo da região e do nicho. Esse valor tende a subir conforme o negócio ganha clientes recorrentes e amplia canais de venda.
Qual a diferença entre faturamento e lucro?
Faturamento é tudo que entra em vendas. Lucro é o que sobra depois de pagar insumo, embalagem, equipe, aluguel e comissão de aplicativo. Um delivery pode faturar alto e lucrar pouco se o custo estiver descontrolado.
Quanto ganha um dono de delivery por mês?
O ganho varia por nicho e margem, mas costuma ficar entre 15% e 30% do faturamento. Uma hamburgueria que fatura R$ 40 mil, por exemplo, pode gerar cerca de R$ 9 mil de lucro dependendo do custo fixo e variável.
Delivery dá dinheiro?
Dá, mas o resultado depende de controlar custo e escolher bem o canal de venda. Quem vende só por marketplace perde uma fatia maior do faturamento em comissão do que quem soma um canal próprio sem taxa por pedido.