Indicadores do Delivery: os KPIs que Todo Dono Deveria Acompanhar
Os cinco indicadores que mostram se o delivery vai bem, com a meta de referência de cada um para 2026.
Indicadores para delivery não faltam, o que falta é tempo para abrir vinte relatórios todo dia e descobrir quais merecem atenção. O problema não costuma ser falta de dado, é excesso: painel do aplicativo de entrega, extrato do banco, agenda de pedidos no WhatsApp, cada canal mostrando um número diferente. Este guia reúne os cinco que realmente importam em 2026, com a meta de referência de cada um e o critério para decidir o que fazer quando o número foge do combinado.
Se você já revisou os fundamentos de como gerenciar um delivery e agora quer saber exatamente quais números olhar toda semana, este guia entra direto nesse ponto.
Por que poucos indicadores valem mais que uma planilha gigante
Todo curso de gestão financeira empurra o dono de restaurante para uma planilha com trinta linhas. Na prática, ela dura duas semanas. Depois o dono volta a decidir no olho, porque abrir aquilo todo dia consome um tempo que ele não tem.
Na experiência de quem já ajudou centenas de lojistas a organizar o próprio negócio, cinco indicadores bem escolhidos e checados toda semana valem mais do que vinte que ninguém revisita depois do primeiro mês. É melhor errar pela simplicidade do que abandonar por excesso.
O critério para escolher esses cinco é simples: cada indicador precisa apontar uma ação. Se o número sobe ou desce e você não sabe o que fazer diferente, ele não entra no painel.

Quais KPIs acompanhar no delivery e qual a meta de cada um
Cinco indicadores bastam para saber se um delivery vai bem em 2026: ticket médio, CMV, margem de contribuição, tempo de entrega e taxa de recompra. Juntos respondem se o negócio vende o suficiente, gasta o certo para vender e faz o cliente voltar a pedir.
| Indicador | O que mede | Meta de referência em 2026 | Frequência de checagem |
|---|---|---|---|
| Ticket médio | Valor médio gasto por pedido | Varia por nicho, ver exemplos abaixo | Semanal |
| CMV (custo da mercadoria vendida) | Quanto do faturamento vira insumo | Entre 28% e 35% da receita | Mensal |
| Margem de contribuição | O que sobra após CMV e taxas variáveis | Acima de 55% | Mensal |
| Tempo de entrega | Do pedido confirmado até a porta do cliente | Até 40 minutos na área principal | Diária |
| Taxa de recompra | Clientes que voltam a pedir em 60 dias | Acima de 30% | Mensal |
| Custo de aquisição de cliente (CAC) | Quanto custou trazer um cliente novo | Recuperado até o 2º pedido | Mensal |

Ticket médio
Ticket médio não tem meta universal, ele muda com o nicho. Uma açaiteria em Belém que vende copos de 500ml dificilmente passa de R$ 22 por pedido, enquanto uma pizzaria de bairro em Contagem trabalha com ticket entre R$ 55 e R$ 70 por já embutir bebida e borda recheada.
O que importa não é comparar o seu número com o de outro nicho, é acompanhar a própria tendência. Se o ticket médio cai três semanas seguidas, o problema costuma estar no cardápio: faltam combos, faltam adicionais, falta sugestão na hora do carrinho. O passo a passo de como calcular o ticket médio do delivery mostra a conta completa, com exemplo.
CMV e margem de contribuição
CMV fora da faixa de 28% a 35% quase sempre denuncia insumo caro, porção mal calibrada ou fornecedor trocado sem repactuar o preço do prato. Uma marmitaria em Duque de Caxias que vende 40 marmitas por dia a R$ 22 e paga R$ 8,80 de insumo por marmita está com CMV de 40%, cinco pontos acima do teto saudável de 35%. São R$ 44 de margem perdida todo dia só nesse item, considerando a diferença até o teto.
Margem de contribuição é o que sobra depois do CMV e das taxas variáveis: taxa de maquininha, comissão de marketplace quando existe, embalagem. A conta é simples: pegue o preço de venda, subtraia o CMV e subtraia as taxas variáveis, o resultado dividido pelo preço de venda é a margem em percentual. Abaixo de 55%, o negócio sobrevive de volume, não de lucro.
Quem ainda não tem uma rotina fixa para olhar esses números pode seguir o passo a passo de controle financeiro do delivery, que detalha a planilha básica por trás dessa conta.
Tempo de entrega
Quarenta minutos é o teto realista para a área principal de entrega na maioria dos nichos urbanos. Acima disso a taxa de reclamação sobe rápido, e o cliente passa a testar o concorrente na próxima fome.
Vale separar o tempo em duas partes antes de apontar culpado: tempo de preparo na cozinha e tempo de rota do entregador. Uma hamburgueria em Nova Iguaçu que demora 25 minutos para montar o pedido e mais 20 para entregar tem um problema de cozinha, não de logística, mesmo que o total pareça um problema de entrega.
Taxa de recompra
Taxa de recompra abaixo de 30% em 60 dias é sinal de que o delivery está gastando energia só para atrair gente nova, sem fidelizar quem já pediu uma vez. É a métrica mais barata de melhorar, porque não depende de anúncio: depende de manter contato com quem já é cliente, o que só funciona quando a base é do próprio lojista e não fica presa dentro do aplicativo do marketplace.
Custo de aquisição de cliente (CAC)
CAC saudável é aquele que se paga até o segundo pedido do mesmo cliente. Se você gastou R$ 25 em anúncio para trazer um cliente novo e o ticket médio dele é R$ 30, com margem de 55%, o lucro do primeiro pedido, cerca de R$ 16,50, ainda não cobre o CAC. Só no segundo pedido, quando o lucro acumulado passa de R$ 33, a conta fecha.
Na prática, entre vigiar o CAC e vigiar a recompra, vale mais a pena manter o olho fixo na recompra. Cliente novo custa caro em qualquer canal pago; cliente que já provou e voltou custa quase zero, e é esse segundo grupo que paga as contas em um delivery pequeno.
Uma ressalva honesta: se o seu delivery fatura menos de R$ 15 mil por mês, montar um painel automatizado com BI não compensa. A planilha simples, revisada uma vez por semana, resolve o mesmo problema sem custo extra e sem mais uma senha para lembrar.
Como montar seu painel de indicadores em uma folha só
O jeito mais simples de montar esse painel é dentro do próprio sistema que já processa os pedidos, sem exportar nada. O Rei do Delivery, sistema brasileiro de cardápio digital com pedidos pelo WhatsApp e zero comissão por pedido, mostra no painel do lojista o volume de pedidos, o ticket médio e os produtos mais vendidos em tempo real, o que já cobre dois dos cinco indicadores sem esforço manual.
Para os outros três, CMV, tempo de entrega e taxa de recompra, uma planilha de uma aba só resolve: uma coluna para cada indicador, uma linha por semana, uma cor para dentro da meta e outra para fora da meta.
Reserve 15 minutos toda segunda de manhã para preencher essa linha antes de abrir qualquer outra tarefa do dia. Quem prefere ver o retrato financeiro completo, e não só os cinco indicadores, encontra o passo a passo em como montar a DRE do delivery por canal.
Quem ainda não organizou o cardápio dentro de um sistema próprio pode criar um cardápio digital grátis e já sair com pedido formatado no WhatsApp e ticket médio calculado sozinho, sem precisar somar nota por nota no fim do dia.
Como agir quando um indicador sai da meta
Ter o painel não adianta nada sem um critério de ação amarrado a cada número. A lista abaixo conecta o sinal de alerta com o primeiro passo prático.
- Ticket médio caindo: revise combos e sugestões de adicional no cardápio antes de pensar em baixar preço.
- CMV subindo: pese a porção, confira o fornecedor e reveja a ficha técnica do prato campeão de vendas.
- Tempo de entrega estourando: revise a área de entrega por bairro antes de contratar mais um entregador.
- Taxa de recompra travada: ative um contato direto pelo WhatsApp com quem não compra há mais de 20 dias.
- CAC alto: pare o anúncio que está trazendo pedido de R$ 15 e realoque a verba para quem já visitou o cardápio.
"O erro mais comum que vejo é o dono trocar de indicador toda semana, perseguindo o número que caiu por último. Escolha os cinco, mantenha os cinco por pelo menos noventa dias, e só mude a meta quando o negócio mudar de patamar."
Rafael Rocha, fundador do Rei do Delivery e gestor de tráfego pago para restaurantes
Perguntas frequentes sobre indicadores no delivery
Qual o ticket médio ideal no delivery?
Não existe um número único. Pizzaria de bairro costuma ficar entre R$ 55 e R$ 70, açaiteria entre R$ 18 e R$ 30, hamburgueria entre R$ 35 e R$ 55. O que importa é acompanhar a tendência do seu próprio negócio mês a mês.
Quantos indicadores devo acompanhar?
Cinco bastam: ticket médio, CMV, margem de contribuição, tempo de entrega e taxa de recompra. Acompanhar mais do que isso costuma fazer o painel ser abandonado em poucas semanas.
Como saber se o delivery está dando lucro?
Margem de contribuição acima de 55% depois do CMV e das taxas variáveis é o sinal mais direto. Abaixo disso, o negócio vende bastante, mas sobra pouco no fim do mês.
O que é um bom tempo de entrega?
Até 40 minutos da confirmação do pedido até a porta do cliente, na área principal de entrega. Passar disso com frequência aumenta reclamação e cancelamento.
Preciso de um sistema de BI para acompanhar esses números?
Não, na maioria dos casos. Se o delivery fatura menos de R$ 15 mil por mês, uma planilha simples revisada toda semana já resolve. BI só compensa quando o volume de pedidos justifica a automação.
O próximo passo é prático: escolha os cinco indicadores desta lista, defina a meta de cada um para o seu nicho e marque na agenda um horário fixo por semana só para olhar o painel. Sem esse horário fixo, nenhum indicador sobrevive além do primeiro mês.