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Como Calcular o CMV do Delivery (Fórmula e Exemplo)

Fórmula, exemplo prático e benchmark de CMV por nicho, com embalagem incluída na conta

Por Equipe Rei do Delivery · 08/07/2026 · 8 min de leitura
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Como Calcular o CMV do Delivery

CMV do delivery é o custo direto de cada pedido que sai da sua cozinha, contando ingredientes e embalagem. Fórmula: CMV = Estoque Inicial + Compras - Estoque Final. Quem calcula sem incluir a embalagem no delivery vê uma margem que não existe na prática.

O que é CMV e por que ele decide seu lucro

CMV é a sigla de Custo da Mercadoria Vendida. É quanto você gastou para produzir tudo o que vendeu num período, não o que comprou de estoque parado na prateleira.

No delivery, o CMV aparece em dois níveis. O CMV do período mostra o custo total de tudo que saiu no mês. O CMV por prato mostra o custo de uma unidade específica, calculado pela ficha técnica. Os dois números contam histórias diferentes e você precisa dos dois.

Se o seu CMV está alto e você não sabe por quê, a resposta quase sempre está num desses três lugares: porcionamento sem controle, compra sem cotação e perda que ninguém registra.

Como calcular o CMV do delivery
Calcular o CMV do delivery exige incluir a embalagem na conta.

A fórmula do CMV com exemplo numérico

CMV do período

A fórmula do CMV do restaurante é simples: CMV = Estoque Inicial + Compras do período - Estoque Final.

Exemplo prático de uma hamburgueria fechando o mês:

  • Estoque inicial (1º dia do mês): R$ 8.000
  • Compras no mês: R$ 22.000
  • Estoque final (último dia do mês): R$ 6.500

CMV = 8.000 + 22.000 - 6.500 = R$ 23.500. Se o faturamento do mês foi R$ 78.000, o CMV representa 30% da receita. Essa é a leitura do período inteiro, útil para o fechamento mensal.

CMV por prato com ficha técnica

Para saber se um item específico do cardápio é lucrativo, o CMV do período não ajuda. Você precisa da ficha técnica, prato por prato.

Exemplo: um combo de hambúrguer com batata e refrigerante.

ItemQuantidadeCusto unitárioCusto no prato
Pão brioche1 unR$ 1,80R$ 1,80
Carne 150g150 gR$ 0,06/gR$ 9,00
Queijo, molho, salada1 porção-R$ 2,40
Batata frita1 porção-R$ 3,10
Refrigerante lata1 unR$ 3,50R$ 3,50
Embalagem completa1 kit-R$ 1,90

CMV do combo: R$ 21,70. Se o preço de venda é R$ 42,90, o CMV representa 50,6% desse prato específico, acima da média do período. É esse tipo de item que precisa de atenção, mesmo com o CMV geral saudável.

O que muda no delivery: embalagem na conta

A maioria das planilhas de CMV que circula por aí foi pensada para salão. No delivery, isso deixa um buraco na conta.

A embalagem faz parte do custo direto do prato quando ele sai para entrega. Saco, marmita, potinho de molho, talher, adesivo de lacre: tudo isso tem custo unitário e precisa entrar na ficha técnica de cada item vendido por delivery, não só na conta geral de despesas.

Segundo orientação do iFood, a embalagem deve representar, em média, até 6% do CMV do prato. Vale como teto de referência, não como regra fixa: pratos com embalagem mais robusta, como sopas ou pratos com molho, tendem a furar esse teto e isso é normal.

O erro mais comum é comprar embalagem no grosso e lançar como despesa administrativa. Isso infla o resultado do prato no papel e esconde o motivo real da margem apertada.

Qual o CMV ideal por nicho

Resposta direta: o CMV ideal do delivery fica entre 28% e 35% da receita na maioria dos nichos, com variação por categoria: pizzarias e hamburguerias tendem à faixa mais baixa por padronização de porção, enquanto pratos com proteína nobre ou preparo elaborado sobem para o teto ou passam dele.

As fontes do setor não fecham em um número único. A Abrasel trabalha com uma faixa de 25% a 40% para o segmento de alimentação fora do lar de forma geral. Outras referências de gestão de restaurantes falam em 25% a 35%, e há quem trabalhe com 28% a 35% para delivery especificamente. A tabela abaixo consolida essas faixas por tipo de operação, para servir de referência prática.

Benchmark de CMV por tipo de delivery
Faixas de CMV ideal por nicho de delivery.
NichoCMV ideal (% da receita)Observação
Pizzaria28% a 32%Massa e queijo padronizados ajudam a manter o CMV estável
Hamburgueria30% a 35%Carne é o item mais sensível a variação de preço
Açaiteria25% a 30%Ticket baixo, mas embalagem pesa proporcionalmente mais
Marmitaria32% a 38%Proteína e acompanhamentos variam mais entre marmitas
Japonês / churrascaria30% a 38%Proteína nobre eleva o CMV, mas o ticket alto sustenta a margem
Doceria20% a 28%Menor CMV típico, mas embalagem delicada custa mais por unidade

Se o seu CMV está acima da faixa do seu nicho, o problema geralmente está no porcionamento ou na compra, não no preço de venda.

CMV bom, margem ruim: o efeito da comissão por canal

Aqui mora a confusão mais cara do delivery: CMV não é a mesma coisa que comissão de marketplace, mas as duas comem a mesma margem.

Pegue o combo do exemplo anterior, com CMV de R$ 21,70 sobre um preço de R$ 42,90. No canal próprio, essa é praticamente toda a conta de custo direto. Já num marketplace com comissão de 23%, saem mais R$ 9,87 do mesmo pedido antes de qualquer outro custo.

Ou seja: o mesmo prato, com o mesmo CMV, deixa margens completamente diferentes dependendo de onde o pedido chegou. Um dono de delivery que fatura R$ 15.000 por mês num marketplace com 23% de comissão perde R$ 3.450 mensais só de intermediação, R$ 41.400 por ano, sem contar o CMV.

É por isso que ler CMV e margem por canal juntos, separando canal próprio de marketplace, é o que mostra onde o lucro realmente vaza. Para entender como formar o preço de venda considerando esse peso, vale complementar com como precificar o delivery, e para dimensionar exatamente quanto a comissão custa no seu caso, dá para simular em quanto a comissão do iFood custa por mês.

Como reduzir o CMV sem piorar o prato

Ficha técnica e porcionamento

Pese cada ingrediente da receita e registre em uma ficha técnica por prato. Sem isso, qualquer variação de porção vira variação de custo invisível. Uma colher a mais de molho em cada pedido, multiplicada por centenas de pedidos no mês, é dinheiro saindo sem aviso.

Compras e fornecedores

Cotação recorrente com pelo menos dois fornecedores por insumo crítico evita pagar acima do mercado por acomodação. Compra em lote fechado com fornecedor fixo tende a reduzir o custo unitário, mas exige capital de giro e controle de validade.

Vale revisar a cotação a cada 60 ou 90 dias, não só quando o preço sobe de forma visível. Insumos como óleo, embalagem e proteína variam de mês a mês, e um contrato antigo com fornecedor único costuma custar mais do que parece no primeiro olhar.

Negociar prazo de pagamento junto com preço também ajuda o caixa sem mexer no CMV: um fornecedor que aceita 15 ou 21 dias de prazo dá fôlego para comprar em quantidade melhor sem apertar o capital de giro do mês.

Registro de perdas

Perda de insumo por vencimento, erro de preparo ou pedido cancelado é CMV que saiu sem virar receita. Anotar essas perdas, mesmo que de forma simples numa planilha, é o que revela se o problema é de compra ou de operação.

Um exemplo comum em marmitaria: sobra de arroz e feijão no fim do dia que vira descarte. Se isso acontece todo dia, o CMV do prato de marmita está absorvendo um volume de perda que não aparece na ficha técnica, só no resultado do mês.

Uma prática simples resolve boa parte disso: pesar o que sobrou antes de descartar, por uma semana, e comparar com o volume produzido. Esse número já mostra se o porcionamento está generoso demais ou se a produção está descolada da demanda real de pedidos.

Depois de ajustar a ficha técnica e organizar as compras, o próximo passo natural é olhar a gestão do delivery como um todo. O guia de gestão de delivery reúne os outros pontos que impactam a margem além do CMV.

Qual a diferença entre CMV e custo fixo

CMV varia com o volume de vendas: quanto mais pedidos, mais insumo e mais embalagem são consumidos. Custo fixo não muda de acordo com o volume, existe mesmo se você não vender nada no mês.

Aluguel da cozinha, salário da equipe fixa e mensalidade de sistema de pedidos são custos fixos. Carne, embalagem e molho de cada pedido são CMV. Confundir os dois é comum e distorce a leitura da margem: um restaurante pode ter CMV saudável e ainda assim fechar no vermelho se o custo fixo estiver desproporcional ao faturamento.

Um jeito direto de proteger essa margem é tirar o peso da comissão da conta. No Rei do Delivery, sistema de cardápio digital sem comissão por pedido, o dono do delivery paga uma mensalidade fixa e recebe o valor do pedido direto na sua chave Pix, sem taxa de intermediação. Isso significa que o CMV calculado aqui já reflete a margem real, sem precisar descontar percentual de canal.

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Perguntas frequentes

O que é CMV e como calcular?

CMV é o Custo da Mercadoria Vendida. A fórmula é Estoque Inicial mais Compras do período menos Estoque Final. No delivery, some também o custo da embalagem de cada prato.

Qual o CMV ideal para restaurante?

A faixa costuma ficar entre 28% e 35% da receita, variando por nicho. Pizzarias e hamburguerias tendem ao piso da faixa, enquanto pratos com proteína nobre chegam mais perto do teto.

A embalagem entra no CMV?

Sim. No delivery a embalagem é custo direto do prato e deve entrar na ficha técnica, não só na conta geral de despesas administrativas.

Com que frequência calcular o CMV?

No mínimo no fechamento mensal. Operações com alta variação de insumo ou promoção frequente ganham ao acompanhar semanalmente.

Qual a diferença entre CMV e comissão de marketplace?

CMV é o custo de produzir o prato. Comissão é o percentual que o marketplace cobra por pedido. Os dois reduzem a margem, mas são custos de natureza diferente e precisam ser lidos separadamente por canal.

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