Aplicativos de Delivery Regionais: aiqfome, Delivery Much e Quando Vale o Canal Proprio
Comparativo honesto de taxas e cobertura para decidir a estrategia certa no interior do Brasil
aiqfome e Delivery Much dominam o delivery no interior do Brasil, mas nenhum dos dois é neutro para comparar. Este guia mostra taxa, cobertura e o critério real para decidir quando vale entrar num app regional e quando vale investir no canal próprio.

O mapa dos apps regionais no Brasil
Fora do eixo das grandes capitais, dois nomes dominam o delivery de comida no interior: aiqfome e Delivery Much. Eles nasceram para atender cidades que o iFood historicamente ignorou, e crescem justamente onde o líder nacional demora a chegar.
aiqfome
O aiqfome foi comprado pelo Magazine Luiza em 2020 e hoje está presente em mais de 700 cidades brasileiras, a maioria com população entre 15 mil e 300 mil habitantes. A comissão cobrada do restaurante varia conforme o plano e a região, geralmente na faixa de 10% a 12% sobre o valor do pedido, mais taxa de pagamento online, e pode haver mensalidade. O modelo original não fazia a entrega: o restaurante cuidava da logística. Isso mudou aos poucos, mas o foco segue sendo conectar cliente e loja, não competir em frota própria.
Delivery Much
A Delivery Much nasceu em Santa Maria (RS) em 2011 e opera por franquia: cada franqueado tem exclusividade numa cidade, geralmente com até 100 ou 150 mil habitantes. Hoje o app lidera a preferência em mais de 100 cidades espalhadas por 14 estados. A comissão cobrada do restaurante parte de 12% sobre o valor do pedido, dividida entre o franqueado local e a franqueadora nacional, podendo variar conforme a cidade e o contrato.
Pede.ai e outros players locais
Além dos dois grandes nomes, existem soluções regionais menores e apps próprios de cidades específicas, geralmente com taxa negociada direto com o franqueado ou operador local. A regra prática vale para qualquer um deles: pergunte a taxa exata, o prazo de repasse e se existe exclusividade de área antes de assinar.
Esses apps menores costumam nascer de um empreendedor local que viu a lacuna antes de qualquer plataforma nacional chegar. A vantagem é o atendimento próximo, muitas vezes pelo próprio WhatsApp do operador. A desvantagem é a dependência: se o app fechar ou o franqueado desistir, o restaurante perde a vitrine da noite para o dia, sem aviso prévio nem migração garantida de clientes.
| App | Cobertura | Comissão típica | Modelo | Público |
|---|---|---|---|---|
| aiqfome | 700+ cidades | ~10% a 12% + possível mensalidade | Marketplace, dono Magazine Luiza | Cidades de 15 mil a 300 mil habitantes |
| Delivery Much | 100+ cidades | A partir de 12%, variável | Franquia local exclusiva | Cidades de até 100/150 mil habitantes |
| Apps locais/Pede.ai | Varia por cidade | Negociada | Operador ou franqueado regional | Cidade específica |
Quando o app regional vale a pena
O app regional vale a pena quando o restaurante ainda não tem visibilidade digital nenhuma. Ele resolve a descoberta: coloca a loja na frente de quem já está com o celular na mão procurando o que comer. Isso é especialmente forte para quem está abrindo agora ou mudando de bairro.
Também vale quando a cidade é pequena demais para atrair o iFood, e o app regional é a única vitrine digital de peso disponível. Nesse caso, ficar fora significa ficar invisível para quem busca delivery no Google ou no próprio aplicativo.
Uma pizzaria que acabou de abrir num bairro novo de uma cidade de 40 mil habitantes, por exemplo, ganha mais entrando no aiqfome ou na Delivery Much do que investindo só em redes sociais. O motivo é simples: quem já usa o app está no modo de decisão de compra, procurando o que pedir agora. Rede social constrói marca a longo prazo, o app converte intenção imediata.
O mesmo vale para nichos de ticket mais baixo e alto volume, como açaiteria e lanchonete. Esses negócios vivem de cliente novo entrando toda semana, e a comissão cobrada pelo app regional ainda compensa quando comparada ao custo de atrair esse mesmo cliente sozinho, sem nenhuma vitrine digital.
Quando o canal próprio vale mais
O canal próprio vale mais para o cliente que já conhece o restaurante e vai pedir de novo. Cliente recorrente não precisa ser descoberto, precisa de um jeito fácil e barato de repetir o pedido.
A conta da comissão na margem
Pegue um restaurante hipotético que fature R$ 10.000 por mês só de pedidos via app regional, com comissão de 12%. Isso representaria R$ 1.200 por mês, ou R$ 14.400 por ano, saindo da margem antes de qualquer outro custo. Numa marmitaria que vende marmita a R$ 22, essa mesma comissão reduziria o valor líquido para cerca de R$ 19, uma diferença que parece pequena no pedido e pesa no fechamento do mês.
Agora troque metade desses pedidos recorrentes pelo WhatsApp com cardápio digital sem comissão. O restaurante fica com o valor cheio do pedido, paga só a mensalidade fixa do sistema, e o cliente ainda recebe o pedido formatado, sem risco de erro de anotação.
Em um exemplo de ticket mais alto, uma hamburgueria hipotética que fature R$ 20.000 por mês pelo app regional, com comissão de 15%, teria R$ 3.000 por mês, ou R$ 36.000 por ano, saindo direto da margem. Se metade desse volume migrasse para o canal próprio ao longo de um ano, a economia passaria de R$ 18.000, valor suficiente para trocar de fornecedor de embalagem, investir em tráfego pago ou simplesmente sobrar no caixa no fim do mês.
O modelo combinado: app para descoberta, canal próprio para recorrência
A estratégia mais honesta não é escolher um lado. É usar o app regional como vitrine para quem ainda não conhece o restaurante, e conduzir o cliente que já pediu uma vez para o canal próprio, onde não existe comissão.
- Cliente novo, achou pelo app: mantenha ele lá até a segunda ou terceira compra.
- Cliente que já pediu antes: ofereça o cardápio do WhatsApp com um cupom ou vantagem exclusiva.
- Cliente fiel, pede toda semana: esse é quem mais rápido paga o custo fixo do canal próprio.
Na prática, isso funciona com uma mensagem simples depois da entrega: um agradecimento no WhatsApp com o link do cardápio próprio, um cupom de primeira compra fora do app, ou um aviso de que o próximo pedido direto sai mais barato porque não tem comissão no meio. Não é preciso brigar com o app regional para isso funcionar, só criar o caminho de saída para quem já virou cliente fiel.
Restaurantes de nicho como churrascaria e cozinha japonesa tendem a sentir esse efeito com mais força, porque o ticket médio é mais alto e a comissão em reais também é. Uma comissão de 15% sobre um pedido de R$ 150 tiraria R$ 22,50 de uma vez só, valor que compensa qualquer esforço para migrar aquele cliente específico para o WhatsApp.
O Rei do Delivery, sistema de cardápio digital sem comissão por pedido, existe para essa segunda etapa. O cliente monta o pedido, ele chega formatado no WhatsApp do lojista, o Pix cai direto na chave do restaurante e a base de clientes fica com o dono do negócio, não com a plataforma.
Quem trabalha só com apps regionais devolve uma fatia relevante de cada pedido antes de comprar um grama de ingrediente. Quem combina descoberta no app com recorrência no canal próprio reduz essa conta de forma consistente em poucos meses.

Como decidir em 10 minutos
Se você está avaliando entrar num app regional agora, ou já está e quer saber se vale continuar, essas quatro perguntas resolvem a decisão sem precisar de planilha complexa.
- Sua cidade tem menos de 200 mil habitantes e o iFood ainda não é forte por aí? Se sim, o app regional provavelmente é a vitrine mais barata disponível hoje.
- Você já tem uma base de clientes que pede toda semana? Se sim, cada pedido recorrente pago com comissão é dinheiro que já poderia estar no seu bolso via canal próprio.
- Seu ticket médio é alto, como churrascaria ou japonês? Se sim, a comissão em reais pesa mais, e migrar esse cliente específico para o WhatsApp traz retorno rápido.
- Você tem um jeito fácil de o cliente pedir direto, sem app para instalar? Se não tem, comece por aí antes de tentar reduzir a dependência do app regional.
A resposta raramente é sair do app regional. Na maioria dos casos, o caminho certo é manter a presença nele para captar cliente novo e construir, em paralelo, o canal próprio para quem já decidiu confiar no seu restaurante.
Perguntas frequentes
Veja as dúvidas mais comuns sobre aplicativos de delivery regionais.
O aiqfome é do iFood?
Não. O aiqfome pertence ao Magazine Luiza, que comprou a plataforma em 2020. O iFood é uma empresa separada e o principal concorrente do aiqfome no delivery brasileiro.
Quanto o aiqfome cobra dos restaurantes?
A comissão fica geralmente entre 10% e 12% sobre o valor do pedido, mais uma taxa de pagamento online, e pode haver mensalidade. O valor exato varia por região e plano contratado.
O que é a Delivery Much?
É um app de delivery que opera por franquia, com um franqueado exclusivo por cidade. Fundado em 2011 no Rio Grande do Sul, hoje lidera a preferência em mais de 100 cidades brasileiras.
Posso estar no app regional e ter cardápio próprio ao mesmo tempo?
Sim, e esse é o modelo recomendado. O app cuida da descoberta de clientes novos, o canal próprio cuida da recorrência sem comissão. Um não substitui o outro, eles trabalham juntos.
Vale a pena sair do app regional depois de ter canal próprio?
Raramente. O ideal é reduzir a dependência aos poucos, migrando o cliente recorrente para o canal próprio, sem abandonar o app como porta de entrada para quem ainda não conhece o restaurante.
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